Acho que eu nem vou querer sopa
Vem ca, vem nesse atalho
Minha casa eh logo ali, a sopa esfria
Me ajuda a ensinar meu cachorro
A me ajudar a fazer as malas?
Em breve terei de viajar, de novo.
Partir, recomecar outra luta ingloria
Protestar contra o exterminio
De minhas chances no futuro.
Vem, vem ca, me de a sua mao
Ninguem quer me ajudar a criar vaidades
voce ajuda? Heim? Vamos,
So um segredinho entre nos,
So um segundinho. Vou avisando:
Tenho varias armadilhas, caia em todas elas
Afinal, nao sei com que proposito
Eu fiz tantas! O que? O que disse?
Voce me acha estranho? Me acha triste?
Ora, nao ligue, Deus fez uns de ternura
Deus fez outros de amargura
Eu sou algo entre os dois!
Olha, nao se acanhe, mas nao se arrisque
A me deixar alegre ou triste, nao toque em nada
Senao em mim. O que? Nao posso te beijar,
Te acariciar? Mas beijos e caricias
Nao sao bons em si? Mesmo que eu seja mau?
Voce eh tao simpatico e generoso, tao franco!
Quer tomar a sopa? Nao, nao foi envenenada
Embora eu nao saiba se esta boa. Mas fumega.
Tudo que fumega se assemelha a mim:
Ou vem de uma sopa ou de restos de incendios.
Esta calor, nao eh?
Veja como eu estou suando, gotas de suor e lagrimas.
Voce, por acaso, tem um leque? Um lenco?
Eh que as paredes daqui sao feitas de livros,
Alfarrabios poeirentos e empilhados, que me causam
Suores, as vezes, pois alguns sao bem velhos
E feitos de pele, espessos e perturbadores.
Eles me fazem companhia todo o tempo.
Sao conselheiros. Dizem que nao tem importancia
Nao ter amigos. Pois amigos, quando chegarem,
Sempre me responderao uma pergunta.
Mas deixarao duas quando forem embora!
Quanto tempo voce acha que leva
Para fazer meus cachorros
Arrumarem minhas malas?
Voce sente pena de mim?
Entende o quanto eu tenho a perder?
O quanto terei de deixar aqui?
Nao? Nao sente? O que sente?
O mesmo que sentiria se eu estivesse em seu lugar?
Que resposta tola! De vazios bastam,
Os meus potes de vinho. Eles secaram
Secaram de tanto esperar que eu os bebesse...
Mas voce chegou tarde, ou sera que...
Sera que eu tardei em ter coragem de
Convidar-lhe para tomar essa sopa?
Nao, nao, nao va embora!
Eu te dei muitos motivos para voce partir
Porque voce tinha tantos para ficar!
Voce ja vai longe, deixou a sopa intacta.
Acho que nem vou querer a sopa tambem...
Vou ficar aqui, abracado as minhas pernas.
Quem sabe meu cachorro aprenda a fazer a mala
Sem ser ensinado, e coloque alguns casacos la, dentro dela.
Assim eu tomo coragem e viajo, de novo...
Eu vou para qualquer lugar
Desde que possa construir outra casa
Com alfarrabios e muitos livrinhos interessantes.
Alguns eu mesmo terei escrito!
Como seria bom se aquele estranho voltasse!
Que estranha decisao tomou, mais que as minhas todas.
A estrada onde o achei se alonga solitaria
Fria e nevoenta.
Por que ele decidiu
Nao se importar em me mostrar
Que antes so que em ma companhia?
Aposto que, quando ele virar uma curva brusca
E cair no abismo, vera que o caminho
Era tao longo a se percorrer
Que eu teria me tornado bom e agradavel
Bem antes de chegarmos aos nossos destinos.
Luciano Cilindro de Souza
quinta-feira, 25 de abril de 2013
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