segunda-feira, 20 de maio de 2013

Solidão e alavancas.

SOLIDAO E ALAVANCAS.

Alguem que quer ser uma especie de deus e compreender radicallmente a realidade, logo cairá em sucessivas armadilhas. Não entende que o entendimento é autoconstrutivo e aprisionante.

Uma toupeira vai escavando a crostra da terra com seu focinho e acaba se convencendo de que suas tunelizações sao a propria tecitura da realidade, da qual se apoderou. Mais tola é a humanidade, pois, ao descobrir que outra alavanca (que nao o pênis ou o focinho) podia aumentar sua apropriação da verdade, enforcou-se nas cordas com a ajuda de polias cada vez mais intrincadas.

Corre-se um terrivel boato: estamos às portas da extinção. Mas essa autofagia ja vinha precedida, no foro intimo, pela insidiosa solidão da toupeira, do ser castrado, que empunha a pinça de seu estojo com miriades de outras ferramentas, desde a tachinha na garagem à grua mais alta.

Quem constrói templos de concreto sobre o que fora uma árvore indefesa, ou consegue uma janela exclusiva com a visão da enseada, nao pode reclamar da solidão. A solidão é o metabólito toxico gerado nos nossos próprios intestinos cheios de autossuficiência.

Não ser feito só de cerebro e esqueleto nos lembra o figado, ou seja, nossas barreiras e defesas não perdurarão pela eternidade desejada. Um dia ruirão, e o urro da sequoia antiga, tombada sob machadadas, se fará ouvir nas almas adormecidas na peçonhenta solidão, que era a propria neblina de cigarro, do vapor do vinho e do incenso mistico, impotente. Nada, nem as unhas ou a espada, nos livrará desse encontro com a verdade ultima e inacessivel. Tudo é gênese e clímax. Entre eles, solidão.

Luciano Cilindro de Souza.

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário


LUCIANO CILINDRO DE SOUZA

Minha foto
Luciano Cilindro de Souza
Cachoeira, Bahia, Brazil
Um partidão! Se quer saber, sou do tipo... Sou do tipo que não serve pra ninguém. Anonimato não define o que já alcancei. Ser o que não sou é etapa vencida ... Meu rótulo tem poucas palavras. # Buracos no meu queijo restam do vazio Muito pouco fatiado, pouco degustado. Cuidados, não vou além de não deixar-me estragar, Já é bem penoso viver e conservar. # Na fábrica comum dos seres comuns, Fui destinado ao mercado dos esquecidos. Quem não se esforça por lembrar dos preteridos, Não me verá naquela prateleira dos temperos banais. # Embora tenha gosto, cheiro, textura, Convenço-me de que devo usufruir-me - Como própio pão e como próprio queijo, não espero alheias mordidas! Propaganda é para os desesperados ou esperançosos. # Meus ingredientes clamam por combinação Não mais de todo tipo. Só por alguém que, no prato que come, Deseja variar o que já tenha vivido. # ASS: luciano cilindro
Ver meu perfil completo

Proibido ignorar © 2008 Template by Dicas Blogger.

TOPO