Luciano Cilindro de Souza
Um incendiario a solta!
Saiu no jornal, saiu no jornal!
Um louco, uma tocha, fugiu!
Abriu de Pandora a caixa do mal
Disse ou não disse, acendeu um pavio.
Que, nele, já era curto; nos outros oculto
falou pros seus pais e pro seu país
Que não era virgem, tampouco era puto
No gueto do armário não era feliz.
Quem pensa que é, acendendo o fosforo
Faiscando o isqueiro da autenticidade?
Vai apagar o incendio de Roma ao Bosforo?
O bombeiro, em seus braços, fugiu da cidade!
Levou surra de toco, facada na escola
Insulto do sabio, do louco, da Chica
Agora rebola, sorri, a si comemora
So leva porrada é com couro de pica.
Ele grita e canta, aos quatro ventos risíveis
"Caso não faço, se me condena o hipócrita.
Se sou faísca, eles são combustiveis!
Queimem, cadáveres, a beira da porta!"
De: Luciano Cilindro de Souza
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Todo anjinho tem seu diabinho.
Todo anjo tem seu diabinho
Tem um diabinho em mim
Que adora travessuras
Ele esta bem juntinho aqui
Instingando loucuras.
Ele faz coisas com meus dedos
Ele mede coisas com meus olhos
Ele chuta, zomba de meus brinquedos
E bate chifres nos ofertorios.
Em vez de um tenebroso tridente
Ele carrega uma bolsinha de puta
Me leva pra sargeta perfido e contente
Vende minhas pregas à labia mais astuta.
Ele gosta de meus gemidos
Nao admite que eu fique só
Me da um cio dos pervertidos
Me faz toda gravata folgar o nó.
Mas que diabo, que fogo uma hora dessa!
Querer estar enroscaso em pernas e em pelos
Enfiado, até o gargalo, em quem nao tem pressa
De cavalgar no estribo da anca, seguro nos cabelos!
Um momento frivolo. Posso?
Luciano Cilindro de Souza
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Solidão e alavancas.
SOLIDAO E ALAVANCAS.
Alguem que quer ser uma especie de deus e compreender radicallmente a realidade, logo cairá em sucessivas armadilhas. Não entende que o entendimento é autoconstrutivo e aprisionante.
Uma toupeira vai escavando a crostra da terra com seu focinho e acaba se convencendo de que suas tunelizações sao a propria tecitura da realidade, da qual se apoderou. Mais tola é a humanidade, pois, ao descobrir que outra alavanca (que nao o pênis ou o focinho) podia aumentar sua apropriação da verdade, enforcou-se nas cordas com a ajuda de polias cada vez mais intrincadas.
Corre-se um terrivel boato: estamos às portas da extinção. Mas essa autofagia ja vinha precedida, no foro intimo, pela insidiosa solidão da toupeira, do ser castrado, que empunha a pinça de seu estojo com miriades de outras ferramentas, desde a tachinha na garagem à grua mais alta.
Quem constrói templos de concreto sobre o que fora uma árvore indefesa, ou consegue uma janela exclusiva com a visão da enseada, nao pode reclamar da solidão. A solidão é o metabólito toxico gerado nos nossos próprios intestinos cheios de autossuficiência.
Não ser feito só de cerebro e esqueleto nos lembra o figado, ou seja, nossas barreiras e defesas não perdurarão pela eternidade desejada. Um dia ruirão, e o urro da sequoia antiga, tombada sob machadadas, se fará ouvir nas almas adormecidas na peçonhenta solidão, que era a propria neblina de cigarro, do vapor do vinho e do incenso mistico, impotente. Nada, nem as unhas ou a espada, nos livrará desse encontro com a verdade ultima e inacessivel. Tudo é gênese e clímax. Entre eles, solidão.
Luciano Cilindro de Souza.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
Para que maos?
Postado por Luciano Cilindro de Souza às 18:48 0 comentários
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